Como saber se o freelancing é para ti? Responde sim a estas 6 perguntas.

Filipa Simões de Freitas

Ser freelancer é o sonho de qualquer pessoa que se sinta presa num escritório que não é seu, das 9:00 às 18:00, à mercê de chefes e colegas de trabalho que não escolhemos e que nem sempre são os melhores, a fazer trabalho que não gostamos, que não nos desafia, que não nos paga aquilo que gostaríamos. Mas a verdade é que ser freelancer não é para todos. Pode parecer um sonho, mas é preciso ter os pés bem assentes na terra para dar este salto.

1. Tens trabalho?

É fácil dizer “vou tornar-me freelancer” e efectivamente passar à acção mas… não é sensato começar a procurar trabalho apenas depois de dares o salto. É preciso preparar o terreno antes: perceber o mercado, falar com outros freelancers, fazer networking, preparar a tua oferta, fazer contactos… uma coisa é dar o salto para uma situação onde tens 2-3 clientes à tua espera, outra coisa é dar um salto para o nada. Na realidade, tornamo-nos freelancers quando já temos um volume de trabalho interessante e que provavelmente já não é compatível com um emprego a tempo inteiro, sendo que a perspectiva é para continuar assim.

2. Sabes fazer contas?

Convém saberes porque, para além de teres de preparar a tua própria tabela de preços, tens de estar a par de recibos verdes, IVA, IRS, retenção na fonte, segurança social, despesas, receitas e facturas – são dois lados da mesma moeda que vais ter de saber gerir muito bem. Informa-te, percebe como vais orçamentar os teus serviços (À hora? À palavra? Por projecto?), procura ajuda com quem sabe, contrata os serviços de um contabilista… precisas das contas na ponta da língua.

3. Estás preparado para assumir várias funções em simultâneo?

Ser freelancer é o verdadeiro one-person show! De repente, não somos apenas designer ou tradutor, somos administrativo, account, contabilista, criador de conteúdos, gestor de redes sociais and the list goes on! Deixamos de ter um intermediário que nos passa um briefing e defende a nossa proposta perante o cliente, passamos a ter de fazer orçamentos e follow-ups, emitir facturas e emails de cobrança. Ah, e no meio de tudo isto ainda temos de ser criativos, de fazer o trabalho pelo qual nos pagam. Prepara-te porque vais precisar de usar vários chapéus e nem todos te vão servir, mas the show must go on!

4. Consegues trabalhar sozinho?

Se ainda não percebestes, quero que fique claro: a vida de freelancer pode ser muito solitária, principalmente no início. Provavelmente vais estar a trabalhar de casa ou do teu café preferido, focado em angariar trabalho e a produzi-lo, a tirar e a pôr chapéus diversos, vais dizer que sim a tudo e ninguém te vai ver por uns tempos. Deixas de ter um escritório com pessoal com quem podes trocar ideias ou dar dois dedos de conversa na pausa do café, um gestor que te pressiona, uma rotina em termos de horários. Mesmo que decidas ir para um co-work ou tenhas colegas com quem falar online, a vida de freelancer é solitária e dura: tens de estar bem com isso e depois arranjar estratégias para tornar tudo mais fácil.

5. És uma pessoa disciplinada, organizada e flexível?

Parabéns! Sempre quiseste ser o teu próprio chefe e agora já és mas… como é esse chefe? Deixa-te dormir até ao meio-dia e responder a emails depois da meia-noite? Não te apresenta um calendário mensal com um workflow organizado e os prazos são definidos conforme dá jeito? Diz que deves aceitar todos os trabalhos que te aparecem pela frente ou então é mais se der deu, se não der não deu? Ser freelancer tem inúmeras vantagens e a liberdade de trabalhar como e quando quiseres é a maior e a mais importante. Mas é igualmente importante ter um processo de trabalho disciplinado, organizado e flexível – é assim que se cria uma rotina, uma reputação, uma vida de freelancer à tua maneira.

6. Tens uma conta poupança para pelo menos 6 meses?

Ponto crucial, este. Quando damos o salto de trabalhador por conta de outrem para freelancer, provavelmente é porque já temos algumas perspectivas de trabalho, no entanto, deixamos de ter um ordenado fixo a cair na conta todos os meses. Isto quer dizer que, se estás a pensar lançar-te por conta própria, não o faças sem teres, pelo menos, 6 ordenados na conta poupança. Para além de ser um factor que te vai ajudar a dar o salto de forma mais tranquila, esta almofada vai ser crucial para aqueles primeiros meses mais incertos da tua nova vida de freelancer.

de nós d’ A BASE

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